A minha versão
- 11/03/2011
- Sentimentos
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Deixa eu contar um pouco como foi porque preciso contar e tem de ser contado escrevendo porque falando eu vou me perder em todos os labirintos do acontecimento.
Não fosse os limites do corpo, da mente e o problema da explosão demográfica eu teria mais uns 50 filhos. Passadas as 40 semanas e enquanto eu estava lá na mesa cheia de anestesia da cintura para baixo o que me deu de início foi tristeza por ter o Antonio arrancado de mim. Lembrei de todas as noites dormidas no sofá, do medo que dava quando algo não estava dando certo, dos biarticulados com suas pessoas educadas (ou não), dos mimos e agrados que muitos dispensaram para a gente no decorrer desse tempo, das roupinhas minúsculas que lavei na mão com sabão de coco (e que passados esses 15 dias de nascimento já são lavadas na máquina mesmo porque É MUITA ROUPA e todo santo dia); depois de tudo isso o Antonio era arrancado da minha barriga pela Laura e a primeira sensação após a tristeza foi de que aquele choro imediato dele me soava como uma gravação vagabunda. Pensei “nenê chora assim? estão me enganando? era um nenê mesmo, não era engano?”. O choro foi ficando distante, levado para os exames iniciais com a pediatra, e eu lá por trás do pano sem saber se estava tudo bem. Mas o choro tornou a ficar perto e eu vi o monte de cobertor nos braços do Eduardo e ele chegou até a mim.
Eu o saudei dizendo “olá, seu chutador de bexiga” e devido ao monte de cobertor eu não consegui beijá-lo ou cheirá-lo direito, mas ele estava lá e era meu e eu queria ele de volta.
Depois do tempo de recuperação da anestesia fui para o quarto e só o Eduardo me aguardava porque os nenês ficam algumas horas no berçário para estabilizar a temperatura. Perto de 2 da manhã do dia 21 abriram a porta e o meu charutinho humano chegou.
Foi como, sei lá, você receber aquele brinquedo tão desejado no natal. Eu queria abrir o cobertor, olhar, mexer, queria que ele acordasse, que falasse comigo e dissesse se fui uma boa hospedeira nos 9 meses. Queria saber se ele me perdoava pelos excessos de café ou por ter me acabado de jogar wii e comer fritura no dia do chá de bebê.
Dizem que criança tem foco de visão apenas de 30 cm, distância aproximada do meu rosto enquanto ele amamenta. Eu gosto de acreditar que aqueles olhinhos me enxergam e me reconhecem todas as vezes que a gente se encontra nesse momento.
E eu gosto de acreditar que nessa hora ele sinta que precisa de mim tanto quanto eu preciso dele.